Cocktail: Manhattan

por Marcelo Cury

Como a maioria dos coquetéis, a origem do Manhattan é incerta. 

Até pouco tempo a criação do Manhattan datava de novembro de 1874, criado para Lady Randolph Churchill no Manhattan Club de Nova York.  No entanto, David Wondrich demonstrou que quando o banquete foi realizado, Lady Churchill estava na Inglaterra, dando luz ao Winston! 

Uma das referências do Manhattan vem do livro de William Schmidt, escrito em 1891, The Flowing Bowl. A receita inclui um traço de absinto e sugere que "pode adicionar um pouco de maraschino, se quiser".

Com o passar do tempo o absinto foi esquecido e o marasquino virou decoração com a cereja.

Embora muitas das receitas tragam a nomenclatura whisky, acredita-se que o Manhattan originalmente era feito com Rye Whiskey. Hoje em dia, comumente utiliza-se Bourbon. Com Whisky, é normalmente chamado de Rob Roy. 

Receita:

60 ml de Bourbon
30 ml de Vermute tinto

2 dashes de Angostura bitters
Servir em um taça coupe previamente gelada
Decorar com uma cereja marasquino

Sierra Nevada: Bigfoot

por Marcelo Cury 

A Sierra Nevada é uma cervejaria que enlouquece qualquer aficionado por cerveja. Fundada em 1979 em Chico, na Califórnia, pelos cervejeiros caseiros Ken Grossman and Paul Camusi, rapidamente ganhou o mercado e se tornou líder de vendas. Com cervejas ricas em personalidade e ótimo preço, era um sonho encontrar tais cervejas em terra brasilis. Disputada por muitos importadores, nós temos a Sierra Nevada no Brasil via Importadora Interfood. Recentemente tivemos a oportunidade de provar uma vertical da Bigfoot, em uma série lançada pela própria cervejaria, com cervejas de 2009 a 2014, armazenadas em perfeitas condições e temperaturas. A Bigfoot é uma potente Barley Wine, com 9,6%, 90 IBU, que utiliza os lúpulos Cascade, Centennial, Chinook.

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 A cerveja surgiu em 1983 e desde então a cervejaria propõe que seus consumidores experimentem a cA cerveja surgiu em 1983 e desde então a cervejaria propõe que seus consumidores experimentem a cerveja nova e também que a guardem para uma experiência diferente, com seu envelhecimento. Como são cervejas estruturadas ser guardadas e só ganham com o tempo, sendo bastante interessante a experiência de safras mais antigas, que ganham com a oxidação as tornando mais vínicas e igualmente complexas. O processo de fermentação da Bigfood também chama a atenção. A cerveja fermenta em uma sala especial, com controle preciso de microrganismos, em tanques abertos, pois a quantidade de açúcar a ser fermentado é tão grande e os níveis alcóolicos esperados exigem um tanque que permita que a cerveja fermente “livremente”. Dividimos essa experiência com vocês. Saúde!

1. Bigfoot 2014

Cerveja de coloração avermelhada, com boa formação de espuma e boa consistência. Tem aroma notas de caramelo, frutas passas e notas cítricas provavelmente dos lúpulos utilizados. Na boca chama a atenção o amargor do lúpulo equilibrado com o dulçor de malte. Corpo médio, final seco. Exatamente o que a cerveja se propõe.

2. Bigfoot 2013

Cerveja mantendo a coloração avermelhada, com boa formação de espuma e boa consistência. Mantendo aroma notas de caramelo, frutas passas e suas notas cítricas. Na boca mantendo o amargor do lúpulo, porém o dulçor de malte começa a se sobressair. Não se distancia muito da proposta da 2014. Não surpreende o envelhecimento.

3. Bigfoot 2012

De coloração castanha, belíssima formação de espuma a cerveja traz no nariz notas cítricas evidentes, associado a frutas como ameixas e uva passas. Chamou a atenção como o aroma do lúpulo se fazia presente em uma cerveja com 3 anos. No paladar porém, menos lúpulo na boca e notas adocicadas do malte. Faltou equilíbrio.

4. Bigfoot 2011

Coloração castanha escura, com espuma densa e cremosa. Não se manteve por muito tempo na taça. No aroma, notas de caramelo, frutas passas, cereja e vinho do porto. Ainda se percebe a presença de lúpulo, mas o álcool começa a aparecer. Paladar com destaque para dulçor do malte, equilibrado com notas frutadas, nozes e de pão. Aqui a idade fez diferença. Bela cerveja!

5. Bigfoot 2010

Coloração castanha escura com creme denso e duradouro, licorosa na taça. Aroma frutado e rico, com notas frutadas como ameixa, toffee e pão. As notas cítricas do lúpulo estão diferentes, se aproximando de pomelo. Na boca, o dulçor de malte com notas frutadas, caramelo, toffee e leve álcool. Uma cerveja sensacional, para se apreciar lentamente, como um bom vinho do porto!

6. Bigfoot 2009

Coloração castanho, com pequena formação de espuma na taça. Aroma com presença de toffee, frutas passas e pouca notas cítricas. Paladar com dulçor presente lembrando melaço, caramelo e aquecimento do álcool. Diferentemente das suas anteriores, uma cerveja mais licorosa, complexa e equilibrada. Mas sua irmã mais nova ainda foi eleita como a mais saborosa!

Cocktail: Negroni

por Marcelo Cury

Uma das histórias mais comentadas em um balcão de bar é a origem do Negroni: o Conde Camilo Negroni, em 1919, frequentador do Casoni Bar, solicitou que o bartender Fosco Scarselli, criasse um Americano mais forte, trocando a soda por gin. E todos ao redor se surpreenderam e começaram a solicitar o coquetel. Uma bela história, tirando o fato de que a Familia Negroni, de origem francesa e não italiana, não a reconhece, já que o único Camilo Negroni, Conde da família, data do século XI.

Fato é: O Negroni tem sua origem baseada no Americano. Um apetitivo comum no norte da Itália no início do século vinte. Este por sua vez foi baseado no Milano-Torino (Campari e Vermute tinto em partes iguais), com a adição de soda.

Com registro histórico, a data mais antiga de que temos noticia é de 1929, no L´heure du Cocktail, onde há o registro de um coquetel chamado Campari Mixte, que leva partes iguais de Gin, Campari e Vermute tinto com um zest de limão siciliano.

Diferentemente de sua história, o Negroni não tem controvérsias. Um coquetel de simples execução, mas ao mesmo tempo consegue ser complexo e sofisticado. Um Belo equilíbrio entre doce e amargo, com boa adstringência na boca. Não é a toa que o Negroni é um campeão de pedidos ao redor do mundo!

Receita:

30 ml de gin
30 ml de campari
30 ml de vermute tinto
Servir em um copo Old Fashioned com gelo
Decorar com um twist de Laranja Bahia 

Cocktail: Old Fashioned

Por Marcelo Cury

Alguns dizem ser o "primeiro" coquetel da história. O primeiro? Difícil dizer, mas de fato esse coquetel data dos primórdios da coquetelaria. Pode ser encontrado inicialmente com a alcunha de de Whiskey Cocktail ou Old-Fashioned Whiskey Cocktail. Jerry Thomas incluiu em 1862, formalmente, a receita do Whiskey Cocktail em seu The Bar-tenders Guide, porém há relatos de receitas desde 1806.

Muitos tentaram se apropriar da sua receita que, assim como a do Negroni, possue vários questionamentos e situações que não batem. A história mais clássica é do Bartender Martin Cuneo do Pendennis Club, em Louisville, KY, em 1888, "criou" o drink para o coronel e produtor de Bourbon James E. Pepper (Aquele do Bourbon 1776) e este espalhou a receita pelo mundo, começando pelo balcão do famoso Waldorf-Astória em NYC. 

Mais uma lenda de balcão de bar. 

Basicamente é um destilado, com açucar, água e uma substância para amargor - hoje em dia bem estabelecida, os chamados "bitters". Uma receita relativamente simples, porém, sua simplicidade não significa falta de complexidade e se bem feita, é apaixonante.

Receita:

  • 60 ml de rye whiskey ou bourbon
  • 3 dashes de Angostura bitters
  • 10ml de xarope simples (2:1) 
  • Decorar com um twist de Laranja Bahia